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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O VELHO AUTÓDROMO

Sidney Cardoso me envia umas fotos, e me emociono ao lembrar esses tempos de Automobilismo Romantico e do saudoso antigo Autódromo do Rio. Tempo que vivemos e curtimos muito. Me permita Saloma e me permitam amigos, vou repetir um post que o Saloma publicou e complemento com as fotos que recebi do Sidney.
AUTODROMO DO RIO – O SONHO QUE DUROU POUCO



Papo com Pedro “Baleiro”

"Eu era feliz e sabia. Quantas vezes descemos a Serra de Petrópolis para participar de uma prova, ou mesmo para assistir.

A pista era precária, as arquibancadas improvisadas, não existia área de escape, o público assistia praticamente na beira da pista.

E daí?

Era maravilhoso ver o público vibrando pertinho dos seus ídolos.

Esses, uns abnegados sonhadores, que tinham certeza que aquele Autódromo ainda seria grande.

Não se sonhava com fórmula 1.

Os sonhos eram bem menores, mas de muita importância.

Aqui podíamos ver os cobras do automobilismo brasileiro, não convém citar nomes, pois eram todos amantes das corridas de automóveis, e em maior ou menor escala, pioneiros, que juntamente com São Paulo, abririam caminho para outros tantos Templos de raça, habilidade e coragem.

O sonho se realizou, e foi além das expectativas, o Autódromo cresceu, em tamanho, em importância e em arquitetura.

Depois virou Autódromo Internacional do Rio, foi batizado com o nome de um carioca que chegou ao topo do automobilismo mundial: Autódromo Nelson Piquet.

Agora já temos provas do mundial de Formula 1, Mundial de Moto Velocidade, Formula Indy e as nossa competições domésticas.
A realidade superou os sonhos mais otimistas.

Estávamos nas nuvens, daí pra frente era só acertar uns probleminhas e teríamos um automobilismo à altura de São Paulo e do Brasil.

Lêdo engano. Primeiro perdemos a Formula 1 para São Paulo, quando deveríamos ter um revezamento, ou até mais de uma prova no Brasil. Depois, numa crise de "inexplicável aversão” ($$$$???) por esse esporte que promoveu o Brasil no mundo todo, um prefeitinho de merda resolve iniciar a destruição deste patrimônio, fazendo obras do PAN ($$$), ignorando áreas maiores e disponíveis, porém ambicionadas pela especulação imobiliária.

Agora teremos os Jogos Olímpicos, e a patota dos coveiros do automobilismo vai se deliciar em acabar com o atual arremedo de Autódromo, como urubus devorando os despojos do nosso sonho.

"Adeus Autódromo".

Eles serão substituídos na administração, e talvez, quem sabe, possamos voltar a sonhar.

Pedro “Baleiro”

(reprodução)

 
 
 
Depois do choro os momentos alegres.
 
Prova Jim Clarck, 3 Horas de Velocidade da Guanabara em 28/04/1968.
Emilio Zambello, Mário Olivetti, Emerson Fittipaldi e Sidney Cardoso, na entrada do miolo. (foto Waldir Braga "Estrela")
Tanto O Fitti-Porsche quanto o KG tinham dificuldades na largada, devido à primeira muito longa, mas recuperavam com o andamento da prova.
 
 
 
Amadeu Girão, José Carlos B. Souza, Sidney Cardoso, Renato Peixoto (saudades) , Mário Olivetti e R. C. Bonfim, (Sidney, corrigido, desculpe a falha, mas na foto está certo), de boné, Jornalista do Correio da Manhã.
 Pódium, Campeonato Carioca de Estreantes e Novatos, 30/04/1967.  (foto Waldir Braga "Estrela")

Foto Waldir Braga "Estrela" 
 
 
Ayltom Varanda KG#2 e Mário Olivetti GTA3 65, na segunda perna do "S", sob forte chuva, Prova Luso/Brasileira Almirante Tamandaré, em 17/12/1967  (foto WaldirBraga "Estrela"
As datas foram informadas pelo pesquisador Ricardo Cunha.

5 comentários:

Sidney Cardoso disse...

Pedro Henrique

Eu havia enviado as fotos para aumentar a homenagem ao querido Mário Olivetti, mas ficou muito bom esse segundo post.

Você colocou uma interrogação no Fitti-Porsche, quem o estava pilotando aí era o Emerson Fittipaldi, pode colocar o nome na foto, tenho certeza.
Forte abraço.

Ah! Na foto em cores em que aparece o "Peixotinho" o de chapéu era o jornalista R.C. Bonfim do jornal Correio da Manhã, era especializado em automobilismo e muito respeitado em sua integridade. Por favor, ponha o crédito nas duas fotos, eles merecem. Obrigado.
Forte abraço.

Antonio Seabra disse...

Estas fotos são uma preciosidade, assim como todo o acervo do Sidney.

É muito interessante ver a precariedade com que se disputavam as provas, basta ver a sujeira na pista, a falta de acostamento, de guard rails, de areas de espcape, não havia nada. Uma escapada e voce estava no mato, ou o que era ainda pior, se fosse no "S" voce podia acabar indo pro lago !!!

Isso sem falar na situação do publico que ficava na beiradinha da pista, muitas vezes atravessando correndo pro outro lado. Se um carro escapasse havia um risco enorme de atropelamentos ! Mas ninguém arredava pé, basta ver a quantidade de gente presente na Prova Almte Tamandaré, debaixo de bastante chuva.

Eu gostava muito deste traçado antigo, que era simples, mas bastante desafiador. Tinha curvas interessantes, como a Sul, a entrada do miolo, o S e a Norte, com o relevé, onde fazer "por cima" era um desafio só encarado com vantagem pelos melhores braços. A ferradura era um curva longa e chata, mas o resto do traçado exigia habilidade para se andar rapido.

Ficar ali pelo "S" era a garantia de ver shows de habilidade e erros bizzaros. Ali eu vi um piloto ainda desconhecido (pra mim e pra muitos cariocas), dando um show de pilotagem, que chamou a atenção, ainda no inicio de sua carreira: Paulo Gomes, com um fusca. E também vi um Div. 4, se eu não estiver muito errado era um Heve (acho que foi antes do Polar...), que foi parar no lago, guiado por um conhecido praparador que tinha ido dar uma "experimentada" no carro, durante um treino extra oficial. Não digo o nome por que não vi a cena, quando cheguei no local o carro tinha acabado de mergulhar na agua, e o "piloto" já estava do lado de fora...Logo depois chegou o Chulam, e caiu na pele do cara !!!!

Este traçado tinha uma outra particularidade, a de ser um emerito "comedor" de pneus, em função da alta abrasão do asfalto, muito rugoso. Aliás, o asfalto chegava a ser groseiro, em alguns trechos. Também os pneus daquela epoca não eram essa maravilha toda...Me lembro de ums corrida em que o Moco deveria ter vencido, com o KG Porsche ainda pintado de azul claro, acho que com carroceria de chapa e motor 1600cc. Ele andava rapidissimo, vinha avançando na classificação, mas dechapava os pneus e tinha de ir pro box pra trocar. Voltava como um foguete, e dechapava de novo ! Se não me engano ele chegou em segundo, mas deu um show de pilotagem. Aliás, como sempre.

Bons tempos.

Antonio

Pedro Henrique "Baleiro" disse...

Sidney, estão feitas as correções. Obrigado mais uma vez.
Antonio, se procurar direitinho, te acha no meio do público. .rs.

Sidney Cardoso disse...

Antonio Seabra
Essa do acidente com o preparador do Polar ou HEVE, não sabia, mas teve um mecânico nosso que também quis dar uma volta com nosso Karman-Ghia-Porsche e caiu no barranco da curva Atrás dos Boxes amassando-o .Tenho a foto, mas também não vou falar o nome.

Sobre o Karmann-Ghia Porsche do "Moco", foi nas 3 Horas de Velocidade de 1966. Olha que interessante, eu tenho duas fotos inéditas dele, feitas pelo fotógrafo e amigo Waldir Braga, "Estrela", dando bela entortada na curva Norte vou enviar para o Pedro.
Abraços,

Pedro
ainda passou uma falhinha nessa parte do texto, se puder, por favor, dê uma consertada: " Amadeu Girão, José Carlos B. Souza, Sidney Cardoso, Renato Peixoto (saudades) , Mário Olivetti e R. C. Martins, de boné, Jornalista do Correio da Manhã.
Pódium, Campeonato Carioca de Estreantes e Novatos, 30/04/1967. (foto Waldir Braga "Estrela")

Onde está R.C. Martins, é R.C Bonfim, na verdade o nome dele era Roberto Carlos Bonfim, mas ele assinava seus artigos com R.C. Bonfim.
Abraços.

Rejane disse...

Oi gente!

Sou filha do R C Bonfim. O Nome dele era Ruy Calheiros Bonfim e não Roberto Carlos!Se bem que ele era o meu rei!rs
Fiquei muito feliz em encontrar tantas histórias e fotos sobre os antigos tempos do autódromo. Meu pai amava o que fazia. Ele gostava muito de você Sidney e de seu irmão também. Eu era criança mas me lembro do quanto ele sentiu a partida tão prematura do seu irmão, que ele considerava um piloto de grande futuro.

abração a todos